Friday, September 21, 2012

Os transtornos de ansiedade mais frequentes


Os transtornos de ansiedade mais frequentes
A ansiedade é uma reação adaptativa a situações estressoras, envolvendo hiperatividade cognitiva e autonômica, com aumento da vigilância, do aprendizado e da reatividade.
Dra. Naylora Troster Médica Psiquiatra pela ABP (TEP); Membro Internacional da Associação Americana de Psiquiatria (APA)

A ansiedade é uma reação adaptativa a situações estressoras, envolvendo hiperatividade cognitiva e autonômica, com aumento da vigilância, do aprendizado e da reatividade. A ansiedade em resposta ao estresse é autolimitada em indivíduos saudáveis, mas exagerada e prolongada em indivíduos com transtornos de ansiedade1.

Os transtornos de ansiedade, incluindo o transtorno de pânico, o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), a fobia social, o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) e o transtorno de estresse pós-traumático, são os distúrbios mentais mais freqüentes, com prevalência ao longo da vida estimada em 28,8% e prevalência em 12 meses de 18,8% na população geral. Dados de vários estudos epidemiológicos demonstram que as mulheres, em comparação aos homens, apresentam risco significativamente maior para o desenvolvimento de transtornos de ansiedade ao longo da vida, com maior gravidade de sintomas, maior cronicidade e maior prejuízo funcional2. Para dar idéia, a freqüência de pânico com agorafobia é duas a três vezes maior (7,7% vs. 2,9%) entre elas; a de TAG (6,6% vs. 3,6%), fobias simples (13,9% vs. 7,2%) e transtorno de estresse pós-traumático é cerca de duas vezes maior no sexo feminino (12,5% vs. 6,2%). As prováveis causas dessa diferença são fatores genéticos e a influência exercida pelos hormônios sexuais femininos2,3.

O transtorno de pânico é caracterizado por ataques recorrentes, acompanhados de sintomas somáticos que incluem dispnéia, palpitações, desconforto precordial, tremor, hiperventilação e parestesias, por no mínimo um mês, seguidos de preocupação persistente com a possibilidade de novas crises. O transtorno de pânico pode ou não ser acompanhado de agorafobia - medo ou esquiva de lugares/situações de onde possa ser difícil escapar 2,3.

O TAG envolve preocupação e apreensão excessivas e persistentes, por no mínimo seis meses, com uma série de eventos e atividades. Sintomas relacionados incluem inquietação, irritabilidade, cansaço fácil, dificuldade de concentração, tensão muscular e/ou alterações de sono2,3.

A fobia social manifesta-se como medo persistente e acentuado de uma ou mais situações sociais de exposição a pessoas estranhas ou ao possível escrutínio de outras pessoas, com esquiva ou evitação das situações temidas2,3.

O TOC caracteriza-se por obsessões recorrentes - imagens ou pensamentos egodistônicos (ansiogênicos), irracionais ou sem significado - e compulsões, definidas como comportamentos repetitivos, difíceis de controlar, adotados pelo paciente na tentativa de reduzir a ansiedade2,3.

O transtorno de estresse pós-traumático é uma reação a uma experiência traumática, de natureza ameaçadora ou catastrófica, caracterizada pela persistente reminiscência do trauma, na forma de memórias intrusas (flash-backs) ou sonhos, sensação de entorpecimento ou embotamento emocional, isolamento social, anedonia (perda de prazer) e esquiva de atividades e situações que recordem a experiência3.

Estudos futuros poderão elucidar a base neurobiológica para as diferenças epidemiológicas e clínicas da ansiedade entre homens e mulheres.


Referências bibliográficas

1. Altemus M, Kagan E. Modulation of anxiety by reproductive hormones. In: Leibenluft E (ed.). Gender in Mood and Anxiety Disorders (Review of Psychiatry Series; Oldham JO, Riba MB, series eds.). Washington, DC: American Psychiatric Press, 1999.

2. Kinrys G, Wygant LE. Anxiety disorders in women: does gender matter to treatment? Rev Bras Psiquiatr 2005;27(Supl II):S43-50 .

3. Yonkers KA, Ellison JM. Anxiety disorders in women and their pharmacological treatment. In: Jensvold MF, Halbreich U, Hamilton JA (eds.). Psychopharmacology and women: sex, gender, and hormones. Washington, DC: American Psychiatric Press, 1996.

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