Friday, September 21, 2012

O transtorno depressivo maior é um fator de risco para baixa massa óssea, obesidade central e outras condições médicas - Resultados do estudo POWER


O transtorno depressivo maior é um fator de risco para baixa massa óssea, obesidade central e outras condições médicas - Resultados do estudo POWER
Acompanhe os comentários do Dr. Teng Chei Tung sobre o estudo POWER, onde foram avaliadas mulheres com depressão maior e controles.
Prof. Dr. Teng Chei Tung
CRM-SP 65.297
Médico Supervisor do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FMUSP). Coordenador do Serviço de Interconsultas do Instituto de Psiquiatria (IPq) do HC-FMUSP. Doutorado em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Presidente da Comissão Científica da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtorno Afetivo (ABRATA). Diretor Clínico da Clínica de Ansiedade e Depressão (CLIAD). 

O POWER (mulheres na pré-menopausa, osteoporose, alendronato e depressão) foi um estudo desenvolvido pelo Centro Clínico do NIH (National Institute of Health - Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos da América), prospectivo, de três anos, comparando 89 mulheres entre 21 e 45 anos, com depressão maior recorrente ou recente e 44 mulheres sem depressão como grupo controle. As mulheres com depressão maior, de uma forma geral, tinham sintomas depressivos e ansiosos leves, porém, com um histórico de cinco anos de sintomas depressivos e quatro episódios depressivos em média. Mais de 80% das mulheres com depressão maior estavam tomando antidepressivos.

O autor resumiu os principais resultados de diversos estudos relacionados ao projeto. Inicialmente, mostrou um estudo que observou uma densidade óssea mineral significativamente menor nas mulheres com história de depressão maior em relação às mulheres do grupo controle. Cerca de 20% das mulheres deprimidas tinham baixa densidade óssea, com predomínio no quadril. Curiosamente, a depressão maior não está listada como um fator de risco para osteoporose nas diretrizes sobre o assunto. O grupo de pesquisa do autor realizou uma metanálise que observou esse risco aumentado de osteoporose em pacientes com depressão maior e sugeriu incluir a depressão maior como um importante fator de risco a ser considerado para a osteoporose nas mulheres.

Avaliando um outro parâmetro importante, foi observado que fatores de coagulação, como o fator inibidor de ativação do plasminogênio 1, estão aumentados nas mulheres deprimidas em relação às mulheres do grupo controle. Além disso, a gordura abdominal também está aumentada nas mulheres deprimidas, o que sugere um maior risco de doenças trombóticas e cardiovasculares.

Fatores inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR), e citocinas, como a interleucina 2 e 6, têm resultados conflitantes na depressão, mas, nesse estudo, os níveis estavam aumentados de forma  significativa e consistente. As citocinas foram avaliadas com métodos mais precisos (dosagem seriada em 24 horas e dosagem em sudorese através de adesivos), e confirmaram a tendência das mulheres com depressão maior de terem mais fatores inflamatórios, que estão associadas a maior risco cardiovascular (no caso do PCR) e a outras doenças crônicas causadas pelas citocinas.

Por fim, um outro estudo avaliou os níveis de leptina e adiponectina, que são duas adipocitocinas excretadas pelas células brancas do tecido adiposo. A leptina sinaliza ao sistema nervoso central a quantidade de gordura disponível no corpo e regula processos de apetite, consumo de alimentos, maturação sexual, funções reprodutivas e o sistema imunológico, e seu aumento está associado a condições patológicas, como doenças cardiovasculares e aumento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal. Já a adiponectina é um hormônio cuja secreção está inversamente relacionada à adiposidade, com seus níveis baixos associados a fenômenos metabólicos negativos.

No estudo POWER, foram avaliadas mulheres com depressão maior e controles, com dosagens de leptina e adiponectina, e foram observados níveis aumentados de leptina e diminuídos de adiponectina em dosagens durante o ciclo de 25 horas (circadiano), indicando uma tendência a um desequilíbrio do gerenciamento hormonal do metabolismo das gorduras, e que estaria correlacionado com os distúrbios metabólicos de obesidade central e resistência à insulina.

Outros resultados foram apresentados pelo autor, todos indicando que a depressão maior está associada a fatores de desequilíbrio dos sistemas de controle de inflamação, do metabolismo ósseo e do metabolismo das gorduras. Novos parâmetros devem ser avaliados sistematicamente pelos psiquiatras no seguimento das pacientes com depressão maior, principalmente com uma atenção maior para os riscos aumentados de osteopenia e osteoporose, além da necessidade de estudos futuros avaliando a importância dos fatores de inflamação, como a proteína C-reativa; os fatores de coagulação, como o fator inibidor de ativação do plasminogênio 1; e os fatores endócrinos metabólicos, como a leptina e a adiponectina.

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