Wednesday, May 09, 2007

DOR NEUROPATICA

Dor neuropática grande mistério



S.Khoromi e colaboradores, psiquiatras do National Institute of Mental Health, em Bethesda, fizeram uma revisão desse tema. A dor neuropática crônica é aquela que geralmente não há nenhum dano tecidual do nervo. O que ocorre é uma disfunção neuroquímica das vias que transmitem a dor, levando a uma transmissão crônica dos sinais dolorosos para o cérebro. A injúria ou lesão neural, que produz dor neuropática pode ser óbvia ou oculta. Essa lesão pode ocorrer em qualquer nível das vias nociceptivas (sensíveis a dor) periféricas ou centrais(no próprio cérebro ou na medula nervosa).O exemplo mais comum é a dor do membro fantasma, que pode ocorrer após uma amputação. A pessoa tem uma dor na perna por uma necrose diabética ou de um tumor ósseo, o cirurgião amputa a perna, e a pessoa continua sentindo dor, na perna amputada. É uma dor que ficou na memória da pessoa. As pessoas que sofrem lesões nos nervos sensoriais periféricos, podem ter essa sensação de dor na perna, após operação de varizes ou a retirada da safena para fazer a agioplastia (ponte safena) do coração. Em pacientes idosos, radiculopatia secundária a doença degenerativa da coluna vertebral, é a causa mais comum de dor neuropática seguida de lesões, durante procedimentos cirúrgicos por outras causas. Que pode produzir dor nos genitais, abdomem, tórax, pescoço e podem ser confundidas com outras causas de dor. Outra causa de dor neuropática em idosos é o herpes zoster, que tem o risco aumentado proporcionalmente à idade do surgimento das lesões dermatológicas. As polineuropatias produzem o típico padrão de dor em luva e bota. Inicialmente os pacientes, se queixam de dor em queimação nos pés. Esta dor surge por comprometimento das pequenas fibras nervosas com pouco ou nenhuma mielina. Diabetes e HIV, são uma das principais causas deste tipo de neuropatia. Entretanto, várias outras causas podem ser enumeradas, e um grande número de pacientes não apresentam nenhuma doença detectável. Dor neuropática central tem sido descrita em várias lesões do sistema nervoso central, incluindo lesões vasculares, traumáticas, desmielinizantes, degenerativas, infecciosas e neoplásicas. Os infartos talâmicos são principal causador de dor neuropática central, qualquer lesão nas vias espinotalâmicas, que carregam os impulsos dolorosos podem causar dor neuropática central. Na doença chamada de siringomielia, onde há lesão das vias espinotalâmicas que transmitem dor, essa é desproporcional à disfunção motora. A esclerose múltipla pode produzir neuralgia trigeminal se houver desmielinização do gânglio de Gasser. A distrofia simpático-reflexa (atrofia de Sudek, algodistrofia) se refere a uma síndrome dolorosa que ocorre principalmente após trauma periférico, que pode ser acompanhada por sintomas autonômicos, alterações do crescimento e aparência da pele e das unhas. O termo causalgia era utilizado quando uma injúria nervosa importante desencadeava os sintomas. A dor pode irradiar-se para áreas distantes da região lesada, algumas vezes envolvendo o membro contralateral (dor em espelho). A Associação Internacional para o Estudo da Dor, mudou o nome desta condição para síndrome da dor regional complexa tipo I. O termo síndrome da dor regional complexa tipo II, é utilizado quando há uma injúria nervosa importante desencadeando os sintomas (substitui causalgia). No passado, os sintomas da síndrome da dor regional complexa eram atribuídos ao sistema nervoso simpático (dor simpaticamente mantida). Os pacientes eram tratados com antagonistas alfa-adrenérgicos ou simpatectomia cirúrgica. Embora alguns pacientes claramente apresentem alguns sintomas simpáticos como alterações da vasoregulação e da sudorese, é difícil saber qual o papel destes sintomas como causadores de dor.
Atualmente, simpatectomia medicamentosa ou cirúrgica é usada como tratamento de segunda linha. Fisioterapia e terapia ocupacional, são críticos para prevenir contraturas e atrofias secundárias ao desuso. Tratamento da depressão reativa associada é essencial. Não há exames definitivos para o diagnóstico das síndromes dolorosas neuropáticas. Fisioterapia é parte integral do tratamento. Os objetivos deveriam ser maximizar a função, evitar o desuso para não ocorrer atrofia e contraturas. Pacientes com tumores malígnos podem ter essas dores neuropáticas.



Fonte :: Pain. 2006 Dec 18;

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