Thursday, July 05, 2007

MEMORIA

Tratado sobre Psicologia

Luiz Antônio Henrique




Memória para que te quero

Imaginamos que tudo que tem na nossa cabeça, em forma de pensamento,
deve ser para o nosso próprio bem. Poderia a nossa própria mente,
estar contra nós em algum momento ?

Um computador tem o seu sistema de processamento de dados, feitos a
semelhança do cérebro humano. No Computador, existe um banco de dados
(memória) onde são armazenadas as informações. Quando se pretende
processar esses dados, para se obter uma resposta final, ou para
verificar resultados de algum questionamento, os computadores
inteligentes tem o seu sistema acionado (logicamente dentro do que já
fora programado) afim de buscar algumas respostas de perguntas
predeterminada. No computador, se o que se busca, não houver
possibilidade de processamento, devido a insuficiência dos dados,
então a maquina não dará respostas, o que é óbvio, já que maquinas não
são capazes de criar e nem inventar informações e nem resultados.

No cérebro humano algo muito parecido pode acontecer. Quando a nossa
memória fica latente ou repetitiva, querendo analisar detalhes de
fatos ocorridos, é porque no passado, houve problemas não
solucionados. A nossa mente tem pôr costume, trazer acontecimentos
registrados na memória, para a nossa central de associação de idéias e
para a consciência, tentando encontrar respostas daqueles velhos
problemas ainda não solucionados desde o seu surgimento. Podem ser
traduzidos como duvidas constantes em nosso cérebro.

Muitas vezes, estamos dentro de uma nebulosa de acontecimentos, que se
transformaram em traumas. Esses traumas são problemas que requerem
soluções e de nada adianta gesticular a cabeça tentando se livrar
deles.

As perguntas mais freqüentes são sempre as mesmas :

Porque aquilo aconteceu ?
Onde foi que eu errei ? Porque errei daquela maneira?
Porque fizeram aquilo comigo ?
Quem foi o principal agente ?
Quando foi que essas coisas aconteceram ?
Como aconteceu tudo aquilo ?
Onde aconteceu isso ?
O questionamento gira sempre em torno da mesma gama de perguntas: O
que, quem, como, onde, quando e porque aconteceram aqueles fatos.
Principalmente em se tratando de acontecimentos muito dolorosos (e pôr
isso importantes)em nossa vida, e que precisam ser analisados através
de julgamentos meticulosos, para que não hajam mais duvidas a serem
esclarecidas. Mas se esses problemas forem muito longos e complexos,
se houver muita dificuldade de se aprofundar nas lembranças, se ainda,
houver muitos pontos duvidosos, então a questão não poderá ser
resolvida. Mas se a questão não é resolvida, então o cérebro poderá
trazer tudo a tona novamente e de forma constante, até o fim das
nossas vidas, como problema não solucionado.

Nesse caso trata-se de uma memória patológica.

Existe um membrana que separa a memória da consciência e dados da
memória, podem vir para a Consciência de forma voluntária ou
involuntária. Mas se a pessoa for acometida de um grande susto, um
forte choque emocional, essa membrana pode se romper ou ficar
danificada, e então a pessoa perde grande parte dessa membrana
protetora, e passará a ter maiores dificuldades em controlar a sua
própria cabeça.

A memória patológica pode ficar forte demais, começa a ter poderes de
esporadicamente, invadir a consciência deixando o indivíduo apenas
entregue ao seu próprio mundo de pensamentos e imaginações. Esta
patologia pode ser de maior e de menor grau de importância e
intensidade. Num estado mais agudo a pessoa nem poderá estudar e
trabalhar ficando quase que totalmente entregue a sua memória. Cria-se
aquele quadro de taciturno mórbido.

O problema maior, é a memória patológica ficar sempre girando em torno
de si mesma ( daí o costume popular de se dizer que a pessoa ficou
gira ou louca).

Cérebro cansado ou mal alimentado

Como qualquer outro órgão de nosso corpo, o cérebro para funcionar
bem, precisa estar saudável. Para que o cérebro esteja sempre
saudável, é necessário que seja bem alimentado (sangue limpo,
suficientemente oxigenado e rico em nutrientes) e acima de tudo,
suficientemente descansado com boas noites de sono alem de se manter
com trabalhos mentais moderados, para que se evite a exaustão.

O uso de drogas consideradas leves como o tabaco e o álcool, e ainda
pior, as chamadas drogas pesadas, como a maconha, cocaína e crack e o
exstasy ( pôr exemplos) podem trazer muito mais problemas a mente. Um
cérebro intoxicado é um órgão doente, incapaz de funcionar dentro das
suas funções benignas, e dessa forma, o indivíduo não poderá agir de
forma correta.

Agora com o cérebro patológico, os erros irão se somar e multiplicar.
A nossa Sociedade não quer saber se o indivíduo agiu de certa forma,
porque estava sob os efeitos de drogas ou com o cérebro cansado ou mal
alimentado, ou ainda, a somatória de todos. A Sociedade julga o
indivíduo pelos seus atos. Se esses atos forem incompatíveis com os
ditames sociais ou órgão social, então a pessoa receberá punições
pelos seus erros. A punição (ou vingança que não leva a nada) muitas
vezes, é mil vezes pior de que o próprio erro.

Muitas das nebulosas e confusões em nossa mente, podem ser provocadas
a posteriori, devido a essas circunstancias. OU seja, a pessoa agiu de
certa forma, cometendo erros até absurdos, enquanto estava sofrendo de
um cérebro patológico. Quando, muito tempo depois, a pessoa em sã
consciência, tentar recordar o passado e tentar analisar a sua vida,
marcada pôr sucessivos erros e pôr isso, causadora de tormentos
traumáticos, é claro que entrará numa nebulosa de recordações
dolorosas e agora, absolutamente sem soluções.

É que se costuma chamar de remorsos.

Ora, se o cérebro quer ficar ruminado os remorsos, pois que fique.
Certamente com o tempo, acabará se cansando e trocará de disco.

A nossa cabeça nunca estará contra nós, a menos que esteja doente. Pôr
isso, o melhor de tudo, sempre será os cuidados com ela. Para se
manter um cérebro sadio, como outro órgão qualquer, é preciso a boa
alimentação, o correto exercício físico e o necessário descanso. Nada
pode ser pior e nem mais perigoso de que um cérebro cansado.

Muitas vezes os nossos erros foram gravados numa época em que a cabeça
não andava boa. Os erros ficam registrados em nossa memória para que
não mais sejam cometidos. Passam a ser placas de sinalização.

Não é apenas a fadiga, o uso de drogas e a má alimentação, a principal
fonte do cérebro patológico. Más companhias também podem influenciar
negativamente a nossa capacidade de julgamentos e decisão.

A Sociedade não perdoa quem é vitima de injustiças.

Até a nossa própria mente, parece não querer perdoar muitos dos nossos
erros. Nada pode ser pior de que inúteis sentimentos de culpa. A
psicologia sabe disso.

Em cima de tudo isso, para o nosso pobre cérebro, podem haver pressões
sociais de todos os tipos e fontes diversas. Uma das piores pressões
cerebrais já seria a própria pobreza, como um peso a mais em cima de
nossa consciência diária. Os desencontros amorosos. As injustiças. A
poderosa pressão dos patrões em cima dos empregados. Enfim, haja
cérebro !

E pensar que Deus nos dotou com um cérebro com apenas de 100 Bilhões
de Neurônios.

Não poderíamos deixar de lado, a Síndrome do Raul Seixas quando disse:
" Tento sair da nebulosa em que me encontro, e para isso, busco
aprender mais. E então encontro dois monstros digladiando entre si: A
alma e o instinto."

E finalizando este ensaio, queremos apenas deixar mais um comentário a
respeito da memória em circulo vicioso: Ao que tudo indica, dentro do
Universo dos nossos remoinhos de lembranças, quando analisamos e
reavaliamos alguns fatos em nossa vida, e que estejam de forma
consistente registrados em nossa memória, na maioria das vezes, parece
que estamos querendo nos consolar com a absolvição dos nossos erros
(pecados) cometidos na época. Isso é sinal de autoestima e não pode
ser classificada como uma má intenção. O principal de tudo, é a gente
sempre se conservar em estado de amor próprio, porque pode trazer bons
fluidos a nossa mente.

Como disse a nossa colega Dra. Ivone Carvalho (psicóloga terapeuta) :
" Prefiro enfrentar o Mundo com a minha consciência de que enfrentar a
minha consciência pôr causa do Mundo. "

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