Tuesday, September 30, 2008

Novo tipo de exame pode evitar ‘surpresas’ cardíacas

Novo tipo de exame pode evitar ‘surpresas’ cardíacas
São José do Rio Preto, 13 de Setembro de 2005
Orlandeli/Editoria de Arte

Cecília Dionizio

O coração, todos sabem, ainda é responsável pela maior causa de morte em todo o mundo. No entanto, muitos são os avanços na área da cardiologia que têm auxiliado a diminuir os altos indíces de óbitos cardíacos. O mais novo anúncio é a chegada de um novo marcador que será incluso na rotina dos exames laboratoriais quando houver a suspeita da doença. O marcador é um dos muitos recursos que os médicos têm hoje para agir preventivamente, evitando a ocorrência de um infarto, por exemplo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, nos últimos dez anos, cerca de sete exames foram acrescentados à prática clínica para auxiliar na detecção de problema cardíaco. Além das já tradicionais medições de colesterol, pressão arterial, glicemia e circunferência abdominal, foram adicionadas as análises das taxas da proteína C-reativa ultra-sensível, da enzima fosfolipase A2 e do cálcio depositado nas artérias coronárias.

O novo marcador, nome que se dá ao exame laboratorial, ainda não tem data para ser utilizado na prática clínica. Divulgado na revista científica americana The New England Journal of Medicine, ele será tema de discussão no Congresso Brasileiro para saber se deverá integrar a rotina de pedido de exames de rotina. O trabalho foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e demonstra que a associação de dois tipos de gordura - a lipoproteína Lp(a) e os fosfolipídios oxidados - aumenta em até dezesseis vezes a propensão ao entupimento arterial e, conseqüentemente, ao infarto. Segundo o cardiologista Oswaldo Tadeu Greco, diretor científico do Instituto de Moléstias Cardiovasculares (IMC), de Rio Preto, embora existam muitos marcadores, eles só devem ser incluídos na rotina quando as informações básicas sugerirem alguma necessidade. Do contrário os exames que hoje já são realizados, como os da carótida, por exemplo, que apontam lesões importantes no coração e uma ressonância magnética, já podem ajudar a identificar calcificações que provocam isquemia cardiáca ou infarto.

O médico diz ainda, que uma dor no peito mais profunda que se irradie para o pescoço e braços deve ser bem investigada. “Exames que possam medir a potência cardíaca mediante esforço e repouso vão auxiliar a identificar um quadro pré-infarto”, diz. Já o cardiologista Paulo Nogueira, cardiologista do Instituto do Coração (Incor), Rio Preto, observa que a doença cardiovascular, por ser a principal causa de óbitos em todo o mundo, é um grave problema de saúde e, por isto mesmo, responsável por um elevado número de mortes. O médico explica que os eventos coronários agudos, como o infarto agudo do miocárdio, a angina instável ou morte súbita, são decorrentes da ruptura de uma placa aterosclerótica (placa de gordura) no interior das artérias que irrigam a musculatura do coração (coronárias). “Ao romper, estas placas expõem uma série de substâncias (enzimas) contidas no seu interior que passam a ter contato com o sangue”, afirma.

E será este contato com o sangue que irá gerar no indivíduo um estado chamado trombogênico, ou seja, há uma tendência à formação de coágulo no local em que a placa se rompeu. “Quando esse coágulo for grande o suficiente, poderá obstruir a passagem de sangue na coronária e impedir o recebimento de oxigênio e nutrientes pela musculatura do coração, o que irá culminar no infarto do miocárdio”, afirma. Segundo os cardiologistas, o risco pode ser evitado antes da rotura da placa, que ocorre normalmente, como evolução final da doença, que já está latente há anos. Isto porque a placa aterosclerótica leva vários anos para se formar e sua formação pode se iniciar na juventude.

Mandamentos:


:: Diga não à obesidade e controle o seu peso
:: Consulte o seu médico periodicamente
:: Meça a sua pressão arterial com freqüência
:: Diga não ao fumo
:: Verifique a quantidade de sal nos rótulos dos alimentos
:: Diga não ao sedentarismo. Pratique esportes
:: Escolha bem os alimentos
:: Saiba se é diabético e se tem colesterol alto
:: Evite o estresse
:: Ame a vida e o seu coração

Fonte: Sociedade Brasileira de Cardiologia - www.cardiol.br

Prevenção da doença cardíaca exige atenção
Segundo o cardiologista Paulo Nogueira, do Incor Rio Preto, são vários os fatores que levam ao aparecimento e à rotura da placa aterosclerótica. Ele cita um estudo recente chamado “Interheart”, publicado na revista científica Lancet, que avaliou a importância dos fatores de risco clássicos para aterosclerose em todo o mundo. “Eles levaram em conta vários outros países e não apenas os países desenvolvidos, como era o caso dos dados que tínhamos recentemente”, diz. O médico enumera quais os resultados que hoje são considerados como mais importantes na pesquisa da doença, e que devem ser levados em conta para se evitar os problemas do coração.

Colesterol
O colesterol provém de duas fontes: a ingestão de alimentos com elevado teor de gordura e aquele produzido de maneira endógena (interna). Ou seja, a pessoa pode ter colesterol elevado devido tanto ao aumento da ingestão de alimentos gordurosos quanto pelo aumento da produção endógena devido a um erro do metabolismo e hiperprodução do LDL colesterol, o chamado "colesterol ruim", e de triglicérides. O aumento do LDL colesterol e triglicérides é um dos mais importantes fatores de risco para o advento da doença coronária, uma vez que é este tipo de colesterol que se acumula na parede da artéria e quanto maior a sua taxa no sangue, maior o risco de formação e rotura da placa de gordura.

Fumo
O hábito de fumar também é um fator muito importante para a produção e ruptura da placa aterosclerótica. O cigarro e as substâncias nocivas que nele estão contidas facilitam a deposição de gordura no interior da artéria coronária e também a instabilização desta placa de gordura levando à sua rotura.

Hereditariedade
O fator hereditário não parece ter tanta importância como se pensava até há pouco tempo. Ao que tudo indica, não há uma característica genética para a produção da aterosclerose. No entanto, a característica hereditária parece repousar no compartilhamento dos mesmos hábitos, ou seja, as pessoas da mesma família, em geral, têm os mesmos hábitos e, deste modo, têm o mesmo tipo de alimentação, mais ou menos aderência à atividade física regular, hábito de fumar e outros.

Obesidade
Também têm grande importância para os problemas cardíacos, fatores como obesidade, pouca ingestão de legumes, frutas e verduras, e a falta de realização de atividade física regular. A obesidade, principalmente obesidade visceral (aquela que torna o abdômen protuberante), em termos práticos pode ser avaliada pela relação entre a cintura e o quadril, ou seja, os indivíduos que apresentam uma medida de cintura maior que a medida do quadril têm um risco maior de desenvolver placa aterosclerótica. Os indivíduos que fazem ingestão regular de legumes frutas e verduras apresentam menor risco de desenvolver infarto do miocárdio. Do mesmo modo, aqueles que realizam atividade física regular são menos propensos ao desenvolvimento de infarto.

Doenças associadas
Fatores clássicos como presença de Diabete Mellitus e Hipertensão Arterial confirmaram, no estudo, ser importantes para o desenvolvimento de placa aterosclerótica. Um dos principais problemas para a doença aterosclerótica reside no fato da diabetes nem sempre apresentar sintomas em grande parte do seu curso. Este fato faz com que a população, mesmo aqueles com inúmeros fatores de risco, não procure assistência médica no sentido de corrigir estes fatores e assim diminuir o risco de infarto do miocárdio. Ainda mais grave é o fato de que em muitos dos pacientes, a morte é o primeiro sintoma. Assim, nos indivíduos que têm morte devido ao infarto, em mais de 60% deles a morte foi o primeiro sintoma apresentado.

Quando o indivíduo apresenta sintomas, em geral, se resumem em "dor no peito". Trata-se de uma dor tipo aperto ou queimação, desencadeada no esforço físico, podendo apresentar irradiação para membros superiores ou pescoço, melhora com o repouso. Pode ainda ser acompanhada de náusea, vômito, sensação de "falta de ar". Os homens acima de 40 anos, as mulheres após o período da menopausa e todos os indivíduos com fatores de risco (diabetes, hipertensão, obesidade, colesterol elevado, tabagista e outros) devem procurar o seu cardiologista para realização de exames preventivos, regularmente.

Serviço:
- Oswaldo Tadeu Greco, cardiologista e diretor científico do IMC, fone (17) 3230-8522
- Paulo Nogueira, cardiologista do Incor, fone (17) 2139-8300

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