Tuesday, September 18, 2007

dia mundial do coração entrvista ao semanário de jacareí

Perguntas:
Qual é a importância do “coração”, sua função?

O coração é um órgão muscular oco localizado no centro do tórax. Os lados direito e esquerdo do coração possuem uma câmara superior (átrio), que coleta o sangue, e uma câmara inferior (ventrículo), que o ejeta. Para assegurar que o sangue flua em uma só direção, os ventrículos possuem uma válvula de entrada e uma de saída.
As principais funções do coração são: o fornecimento de oxigênio ao organismo e a eliminação de produtos metabólicos (dióxido de carbono) do organismo. Em resumo, o coração realiza essas funções através da coleta do sangue com baixa concentração de oxigênio do organismo e do seu bombeamento para os pulmões, onde ele capta oxigênio e elimina o dióxido de carbono. Em seguida, o coração recebe o sangue rico em oxigênio dos pulmões e o bombeia para os tecidos do organismo.

Função do Coração

Durante o batimento cardíaco, as câmaras cardíacas dilatam ao encherem-se de sangue – período denominado diástole – e, em seguida, elas contraem quando o coração bombeia o sangue – período denominado sístole. Os dois átrios relaxam e contraem concomitantemente, assim como os dois ventrículos.
A seguir, descreveremos como o sangue move-se através do coração. Inicialmente, o sangue proveniente do corpo, pobre em oxigênio e rico em dióxido de carbono, flui através das duas veias de maior diâmetro (as veias cavas) até o átrio direito. Ao encher, essa câmara impulsiona o sangue até o ventrículo direito. Quando este se torna repleto, ele bombeia o sangue, através da válvula pulmonar, até as artérias pulmonares, as quais suprem os pulmões.
Em seguida, o sangue flui pelos diminutos capilares que circundam os sacos aéreos (alvéolos) dos pulmões, absorvendo oxigênio e eliminando dióxido de carbono, o qual é, em seguida, é expirado. O sangue então rico em oxigênio flui através das veias pulmonares até o átrio esquerdo. Esse circuito entre o lado direito do coração, os pulmões e o átrio esquerdo é denominado circulação pulmonar.
Ao encher, o átrio esquerdo impulsiona o sangue rico em oxigênio até o ventrículo esquerdo. Quando este se torna repleto, ele bombeia o sangue, através da válvula aórtica, até a aorta, a maior artéria do corpo. Esse sangue rico em oxigênio irriga todo o organismo, exceto os pulmões.
O que são doenças cardiovasculares?
Doenças cardiovasculares são doenças que afectam o sistema circulatório (cárdio = coração * vasculares = vasos sanguíneos, incluindo artérias, veias e vasos capilares). Entre as mais comuns podemos referir o enfarte do miocárdio, a angina de peito, a aterosclerose, os AVC (acidente vascular cerebral), etc. Entre as suas principais causas contam-se a vida sedentária, o consumo excessivo de alimentos ricos em gordura e sal, álcool (ainda que estudos demonstrem um efeito benéfico no consumo moderado de bebidas alcoólicas) e tabaco. Por conseqüência, a melhor prevenção consiste em fazer exercício físico, ter uma alimentação equilibrada, rica em frutas e legumes e não fumar.

Quais são as mais comuns?
Hipertensao arterial, insuficiencia coronariana ou angina do peito, derrame ou acidente vascular cerebral ( AVC ), insuficiencia cardiaca e as muitas formas de disturbio do ritmo cardiaco ou arritimias.
Quais os sintomas?
Não existe um sintoma isolado que identifique de maneira inequívoca uma doença do coração (cardiopatia), mas determinados sintomas sugerem a possibilidade, e um conjunto de sintomas faz com que um diagnóstico seja estabelecido. O médico inicia o processo do diagnóstico com uma entrevista (história clínica) e um exame físico. Freqüentemente, são solicitados exames para a confirmação do diagnóstico, para a avaliação da gravidade do problema ou como auxílio no planejamento do tratamento.
Contudo, algumas vezes, mesmo uma cardiopatia grave não apresenta sintomas até atingir um estágio avançado. Check-ups de rotina ou uma consulta ao médico por qualquer outro motivo podem revelar essa cardiopatia assintomática. Os sintomas de uma cardiopatia incluem determinados tipos de dor, dificuldade respiratória, fadiga, palpitações (percepção de batimentos cardíacos lentos, rápidos ou irregulares), tontura e desmaios. Contudo, esses sintomas não indicam necessariamente uma cardiopatia: uma dor torácica pode indicar uma cardiopatia, mas pode ser também sinal de uma doença respiratória ou gastrointestinal.
Irrigação Sangüínea do Coração
Como qualquer outro tecido do corpo, o músculo do coração deve receber sangue rico em oxigênio e eliminar o sangue exaurido de oxigênio. A artéria coronária direita e a artéria coronária esquerda com seus dois ramos (a artéria circunflexa e a artéria descendente anterior esquerda) fornecem sangue ao músculo cardíaco (miocárdio). As veias cardíacas retornam o sangue ao átrio direito.
Dor
Quando a quantidade de sangue que chega aos músculos é insuficiente (condição conhecida como isquemia), a quantidade inadequada de oxigênio e o excesso de produtos da degradação metabólica causam câimbras. A angina – uma sensação de aperto ou de compressão torácica – é decorrente da insuficiência do suprimento de sangue ao coração.
Entretanto, o tipo e o grau de dor ou de desconforto variam enormemente entre as pessoas. Alguns indivíduos com suprimento sangüíneo inadequado não apresentam dor (condição conhecida como isquemia silenciosa). Se a quantidade de sangue que flui aos outros músculos é muito pequena, particularmente aos músculos da panturrilha, o indivíduo costuma sentir uma dor tipo compressiva e fadiga na região durante a realização de exercícios (claudicação).
A pericardite – inflamação ou lesão da membrana que envolve o coração – causa uma dor que aumenta de intensidade quando o indivíduo deita e diminui na posição sentada ou reclinada para a frente. Nesse caso, o exercício não aumenta a dor e a inspiração ou a expiração pode reduzi-la ou aumentá-la, pois pode ocorrer concomitantemente uma pleurite – inflamação da membrana que envolve os pulmões.
Quando uma artéria sofre uma laceração ou ruptura, o indivíduo geralmente apresenta uma dor aguda que surge e desaparece rapidamente e pode não ter relação com a atividade física. Às vezes, as artérias principais, especialmente a aorta, são lesadas. Uma parte dilatada e saliente da aorta (aneurisma) pode apresentar um extravasamento súbito ou o seu revestimento pode apresentar uma discreta laceração, permitindo que o sangue penetre entre as camadas da aorta (dissecção da aorta).
Esses eventos produzem dor súbita e intensa intermitente, com a ocorrência de novas lesões (p.ex., lacerações) ou mesmo com o movimento do sangue fora de seu canal normal. Geralmente, a dor originária da aorta é sentida na região posterior do pescoço, entre as escápulas, ao longo das costas ou no abdômen.
A válvula localizada entre o átrio e o ventrículo esquerdos pode protruir em direção ao átrio esquerdo quando o ventrículo esquerdo contrai (prolapso da válvula mitral). Às vezes, os indivíduos com esse distúrbio apresentam episódios curtos de dor lancinante, tipo punhalada ou picada de agulha. Em geral, a dor é localizada abaixo da mama esquerda, independentemente da posição ou da atividade física da pessoa.
Dificuldade Respiratória
A dificuldade respiratória, conhecida como falta de ar, é um sintoma comum da insuficiência cardíaca. Ela é decorrente do líquido que drena para os espaços aéreos do pulmão – um distúrbio denominado congestão pulmonar ou edema pulmonar –, resultando em um processo similar ao afogamento. Nos primeiros estágios da insuficiência cardíaca, a pessoa apresenta dispnéia apenas durante o esforço físico.
À medida que a insuficiência cardíaca progride, a dispnéia ocorre em atividades cada vez menos intensas, até ocorrer mesmo em repouso. As pessoas apresentam dispnéia sobretudo ao se deitar porque o líquido espalha-se por todo o tecido pulmonar. Na posição sentada, a força da gravidade faz com que o líquido se acumule na base dos pulmões, o que não produz tanto incômodo. A dispnéia noturna é a falta de ar que ocorre à noite com o indivíduo deitado e que é aliviada pela posição sentada.
A dispnéia não é limitada às cardiopatias, podendo afetar também os indivíduos com doenças pulmonares, doenças dos músculos respiratórios ou doenças do sistema nervoso central que interferem na respiração. Qualquer distúrbio que comprometa o delicado equilíbrio normal entre o fornecimento e o consumo de oxigênio – por exemplo, a capacidade inadequada de transporte de oxigênio pelo sangue em decorrência de uma anemia ou o incremento do metabolismo geral do organismo em decorrência de uma tireóide hiperativa – pode fazer com que um indivíduo apresente dispnéia.
Fadiga
Quando o coração bombeia de forma ineficaz, o fluxo sangüíneo aos músculos pode ser inadequado durante a realização de exercícios, fazendo com que o indivíduo apresente fraqueza e cansaço. Em geral, os sintomas são sutis. Os indivíduos costumam compensar essa situação diminuindo gradualmente as atividades ou consideram os sintomam como decorrentes do envelhecimento.
Palpitação
As pessoas frequentemente não percebem o batimento cardíaco. Entretanto, em determinadas circunstâncias – por exemplo, durante o exercício vigoroso ou uma experiência emocional dramática –, mesmo os indivíduos saudáveis percebem seus batimentos cardíacos. Eles podem sentir o coração batendo forte ou rapidamente ou detectam um batimento irregular.
O médico pode confirmar esses sintomas examinando o pulso e auscultando os batimentos cardíacos com o auxílio de um estetoscópio colocado sobre o tórax. As palpitações serão consideradas anormais de acordo com as respostas a diversas questões: se elas ocorrem frente a determinados fatores ou situações, se o seu início é súbito ou gradual, qual a rapidez dos batimentos cardíacos e quanto eles parecem ser irregulares.
É mais provável que palpitações que ocorrem concomitantemente a outros sintomas (p.ex., dispnéia, dor, fraqueza e fadiga ou desmaios) sejam decorrentes de um ritmo cardíaco anormal ou de uma doença subjacente grave.
Tontura e Desmaio
O fluxo sangüíneo inadequado resultante da freqüência cardíaca ou de ritmos cardíacos anormais ou da deficiência da capacidade de bombeamento cardíaco pode causar tontura, fraqueza e desmaio. Esses sintomas também podem ser decorrentes de alguma doença cerebral ou da medula espinhal ou sua causa pode não ser grave.
Por exemplo, muitos soldados podem ter uma sensação de desmaio ao permanecerem em posição de sentido durante longos períodos, pois os músculos das pernas devem permanecer ativos para auxiliar o retorno sangüíneo ao coração. Uma emoção ou uma dor intensa, a qual ativa parte do sistema nervoso, também pode causar desmaio. Os médicos devem diferenciar o desmaio provocado por uma cardiopatia da epilepsia, na qual a perda de consciência é devida a um distúrbio cerebral.
Quais os fatores de risco?

Hereditários:
Os filhos de pessoas com doenças cardiovasculares tem uma maior propensão para desenvolverem doenças desse grupo. Descendentes de raça negra são mais propensos a hipertensão arterial e neles ela costuma ter um curso mais severo.
Idade:
Quatro entre cincos pessoas acometidas de doenças cardiovasculares estão acima dos 65 anos. Entre as mulheres idosas, aquelas que tiverem um ataque cardíaco terão uma chance dupla de morrer em poucas semanas.
Sexo:
Os homens tem maiores chances de ter um ataque cardíaco e os seus ataques ocorrem numa faixa etária menor. Mesmo depois da menopausa, quando a taxa das mulheres aumenta, ela nunca é tão elevada como a dos homens.
Fumo:
O risco de um ataque cardíaco num fumante é duas vezes maior do que num não fumante. O fumante de cigarros tem uma chance duas a quatro vezes maior de morrer subitamente do que um não fumante. Os fumantes passivos também tem o risco de um ataque cardíaco aumentado.
Colesterol elevado:
Os riscos de doença do coração aumentam na medida que os níveis de colesterol estão mais elevados no sangue. Junto a outros fatores de risco como pressão arterial elevada e fumo esse risco é ainda maior. Esse fator de risco é agravado pela idade, sexo e dieta.
Pressão arterial elevada:
Para manter a pressão elevada, o coração realiza um trabalho maior, com isso vai hipertrofiando o músculo cardíaco, que se dilata e fica mais fraco com o tempo, aumentando os riscos de um ataque. A elevação da pressão também aumenta o risco de um acidente vascular cerebral, de lesão nos rins e de insuficiência cardíaca. O risco de um ataque num hipertenso aumenta várias vezes, junto com o cigarro, o diabete, a obesidade e o colesterol elevado.
Vida sedentária:
A falta de atividade física é outro fator de risco para doença das coronárias. Exercícios físicos regulares, moderados a vigorosos tem um importante papel em evitar doenças cardiovasculares. Mesmo os exercícios moderados, desde que feitos com regularidade são benéficos, contudo os mais intensos são mais indicados. A atividade física também previne a obesidade, a hipertensão, o diabete e abaixa o colesterol.
Obesidade:
O excesso de peso tem uma maior probabilidade de provocar um acidente vascular cerebral ou doença cardíaca, mesmo na ausência de outros fatores de risco. A obesidade exige um maior esforço do coração além de estar relacionada com doença das coronárias, pressão arterial, colesterol elevado e diabete. Diminuir de 5 a 10 quilos no peso já reduz o risco de doença cardiovascular.
Diabete melito:
O diabete é um sério fator de risco para doença cardiovascular. Mesmo se o açúcar no sangue estiver sob controle, o diabete aumenta significativamente o risco de doença cardiovascular e cerebral. Dois terços das pessoas com diabete morrem das complicações cardíacas ou cerebrais provocadas. Na presença do diabete, os outros fatores de risco se tornam mais significativos e ameaçadores.
Anticoncepcionais orais:
Os atuais ACOs têm pequenas doses de hormônios e os riscos de doenças cardiovasculares são praticamente nulos para a maioria das mulheres. Fumantes, hipertensas ou diabéticas não devem usar anticoncepcionais orais por aumentar em muito o risco de doenças cardiovasculares.
Existem outros fatores que são citados como podendo influenciar negativamente os fatores já citados. Por exemplo, estar constantemente sob tensão emocional (estresse) pode fazer com que uma pessoa coma mais, fume mais e tenha a sua pressão elevada. Certos medicamentos podem ter efeitos semelhantes, por exemplo, a cortisona, os antiinflamatórios e os hormônios sexuais masculinos e seus derivados.


Como se prevenir?
As doenças cardiovasculares adquiriram uma maior importância durante o século XX, com o aumento da expectativa de vida da população em geral. Por exemplo, nos Estados Unidos no ano de 1900, a expectativa de vida era de 47 anos; este número aumentou para 73 anos em 1999. E no Brasil, segundo o IBGE, quem nasceu no ano 2000, poderá esperar de ter uma vida média de 68,6 anos.

Por outro lado, a urbanização que aconteceu nos países desenvolvidos no século XX e que chegou ao Brasil, trouxe consigo alguns problemas, como uma menor atividade física, uma alteração nos hábitos alimentares com um maior consumo de gorduras, tabagismo e estresse.

Este aumento da expectativa de vida, juntamente com os problemas decorrentes da mudança no estilo de vida das pessoas, acabou por determinar um aumento na incidência das doenças cardiovasculares, que surgem mais freqüentemente após os 50 anos de idade

Fatores Predisponentes e Fatores Adquiridos

Existem fatores predisponentes para as DCV que não se conseguem modificar. Entre eles, citamos:

- Hereditariedade - existem fatores familiares entre as doenças cardiovasculares; algumas famílias apresentam maior incid6encia de doenças coronárias e de hipertensão, por exemplo

- Sexo - As DCV seguem sendo mais comuns no sexo masculino; nas mulheres na pós-menopausa/após histerectomia observa-se um aumento na incidência

- Idade - Elas são mais freqüentes após os 50-60 anos de idade

- Raça - A hipertensão arterial é mais comum na raça negra

Já outros fatores são adquiridos ou podem ser controlados:

- Fumar cigarros: o tabagismo é um fator muito importante na gênese da aterosclerose (deposição de gorduras nas paredes internas das artérias), além de ter uma relação com a hipertensão arterial

- Hipertensão arterial: apesar da maioria dos casos de hipertensão terem uma origem inerente ao próprio indivíduo, ela pode e deve ser CONTROLADA com dieta, medicamentos e exercícios

- Hiperlipidemia: o aumento das gorduras no sangue também costuma ter uma origem familiar mas pode ser controlada

- Diabetes: idem, como acima

- Obesidade: pode também ser alterado, com um programa de dieta e exercícios físicos

- Sedentarismo: idem, pode ser modificado, pois é um hábito adotado

- Ansiedade/Estresse: são problemas que podem ser modificados de várias maneiras

As doenças cardiovasculares causam 12 milhões de mortes em todo o mundo a cada ano. Além disso, tem uma grande possibilidade de causar incapacidade nos indivíduos, como as como seqüelas de infarto do miocárdio seguido de insuficiência cardíaca, derrames cerebrais, amputações de membros inferiores por gangrena, etc). As seqüelas acontecem em cerca de 20 a 30% dos indivíduos acometidos pelas DCV.

A Aterosclerose

A maioria das DCV encontradas no adulto estão basicamente relacionadas com a aterosclerose. Nesta doença, ocorre um acúmulo de gorduras nas artérias, que vão se obstruindo progressivamente, com maior ou menor velocidade. Menos sangue passa por estas artérias ocluídas. O processo se inicia ainda na infância, e já foi detectado até mesmo em bebês. Mas na maioria dos casos as suas conseqüências irão se manifestar após os 40-50 anos, através do surgimento de doenças coronarianas, derrames cerebrais, hipertensão, e doença arterial obstrutiva dos membros.

Alguns fatores são capazes de alterar a parede interna das artérias, levando a uma espécie de "inflamação" no local - estes fatores interagem com as gorduras circulantes no sangue (favorecendo a deposição nas "placas" e com células do sangue), aumentando a sua aderência. Outros fatores acabam por aumentar a viscosidade do sangue, que fica mais "grosso". Por exemplo, o excesso de gorduras no sangue e o tabagismo favorecem a deposição das placas, além de poderem alterar a viscosidade do sangue.

No caso das doenças em que há elevação das gorduras no sangue, a aterosclerose acontece quando os níveis de colesterol sanguíneo superam a capacidade do organismo de retirar colesterol da circulação, o que faz com que as gorduras sejam depositadas na parede da artéria.

O Cigarro

As artérias têm uma camada "elástica" nas suas paredes. A nicotina e outros elementos do cigarro fazem com que esta camada se contraia, portanto passando menos sangue pelo interior da artéria. Esta constrição, nas pequenas artérias, é um mecanismo ligado também à hipertensão arterial.

Um outro efeito do cigarro é que as suas substâncias causam uma irritação da parede interna dos vasos, favorecendo a deposição de "grumos" de células sanguíneas e gorduras. Ocorre ainda um aumento da viscosidade do sangue secundário ao uso do cigarro, favorecendo as tromboses.

A Hipertensão Arterial

O aumento da resistência no interior dos vasos periféricos acaba, ao longo do tempo, por sobrecarregar o coração, rins e cérebro. No coração, os pacientes hipertensos não-controlados correm o triplo do risco de desenvolverem isquemia miocárdica (angina ou infarto) e sete vezes mais chances de apresentarem um derrame cerebral - dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia. O aumento da resistência nos vasos acaba ao longo do tempo por sobrecarregar o coração, levando à sua hipertrofia e aumento.

Outros problemas decorrentes da hipertensão relacionam-se com a presença de aneurismas (dilatações) nas grandes artérias, principalmente na aorta.

Pacientes com maior probabilidade de desenvolverem DCV

- Tabagismo (se o paciente está fumando)
- Hipertensão arterial (PA>140/90 mmHg)
- LDL colesterol (>160 mg/dl) - este é chamado muitas vezes de mau cholesterol, pois é o que se deposita na parede vascular
- HDL colesterol (<35 mg/dL)
- Diabetes mellitus (glicose plasmática >120mg/dL) - no diabetes, a deposição de gorduras na parede das artéwrias se encontra facilitada, além de ocorrerem oclusões distais em vasos muito pequenos nas extremidades inferiores (chamado de "micro-circulação")

Prevenção em geral das DCV

- Siga as recomendações de seu médico em relação a dieta, atividade, exercício físico, medicação, controle de pressão arterial, e consultas de controle

- Não interrompa os medicamentos prescritos - isso pode ser particularmente perigoso nos pacientes hipertensos, diabéticos, e nos portadores de angina

- Não fume - o risco de eventos cardiovasculares aumenta muito. Mesmo se você parar de fumar, irão demorar alguns anos até que o seu risco cardiovascular se iguale a de uma pessoa que nunca fumou. Entretanto, parar de fumar é extremamente vantajoso ao diminuir a pressão arterial e a viscosidade (aderência) do sangue, que é um fator importante no surgimento das tromboses intravasculares

- Mantenha o seu nível de colesterol e triglicérides normal, mesmo que isso implique em usar medicamentos - pessoas acima de 20 anos devem determinar seus níveis de colesterol a cada cinco anos, e todas as pessoas com aterosclerose devem acompanhar o seu colesterol

- Se você for diabético, mantenha a glicose sob controle

- Reveja sua história familiar e seus hábitos de vida com seu médico. Desta maneira você conseguirá verificar quais são as melhores maneiras de diminuir o seu risco.

- Se você tiver uma história familiar forte para DCV, ter uma vida saudável irá retardar ou impedir o processo

- Siga as orientações de dieta e exercícios para o resto de sua vida. Se você abandonou o cigarro, não volte a fumar.

- Evite o estresse - procure ter um bom relacionamento com a família e no trabalho. Tire férias regularmente. Hoje está documentada a relação entre as DCV e a ocorrência do estresse

- Controle o peso. A obesidade favorece a hipertensão, o diabetes, e pode alterar as gorduras sangüíneas
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A prevenção deve começar cedo, pois muitas vezes não aparecem sintomas, a detecção da doença é tardia e o tratamento torna-se apenas um paliativo. A saúde do coração e do sistema vascular (conjunto de veias e artérias) depende de hábitos saudáveis desde a infância.

Você pode provocar uma grande diferença mudando alguns de seus hábitos.
Exercite-se regularmente (sim, sabemos que é difícil). Só 30 minutos de caminhadas diárias ou algumas voltas de 10-15 minutos algumas vezes ao dia o ajudarão a ter um coração saudável por toda a vida.
Algumas atividades divertidas são: jogging, esportes de praia, natação, ciclismo, golfe, dança, jardinagem, até trabalhos domésticos!
Coma bem É uma das melhores coisas da vida. Mas não descuide de sua dieta e tente não comer comidas gordurosas, mantendo o nível de colesterol baixo.
Mantenha um peso saudável É muito mais confortável. Se você estiver acima do peso, você estará forçando o seu coração.
Tente parar de fumar Sabemos que é difícil, mas existem vários grupos de apoio que podem ajudar e isso fará uma grande diferença na prevenção de doenças cardíacas e também diminuirá o risco de sofrer com câncer de pulmão.
Encoraje e apoie os seus amigos também.
Relaxe, corte o estresse Sorria para a vida quando puder e tente relaxar quando possível. Você não só ficará mais feliz, como também mais saudável.
Cheque sua pressão arterial Visite seu médico para checar sua pressão e verificar se você é hipertenso. Seu médico pode lhe recomendar um tratamento e reduzir as chances de você ter uma doença cardíaca ou um ataque do coração.
Verifique se tem diabete Se você é diabético, terá um risco maior de ter uma doença no coração se a diabete não for adequadamente controlada. O tratamento da diabete é o básico para a saúde do coração pergunte ao seu médico.
Verifique o nível de seu colesterol Níveis altos de colesterol contribuem para doenças cardíacas mas, normalmente, uma dieta saudável é o bastante para trazer o nível de colesterol de volta ao normal.
Cheque sua saúde Vá ao seu médico uma vez ao ano para um check-up, mesmo quando estiver se sentindo bem, já que os sintomas podem não ser notáveis. Seu médico irá verificar se você está realmente saudável.
Tenha um coração para a vida Cuide bem de seu coração para poder viver mais e melhor. Quanto mais cedo começar, melhor. Mas nunca é tarde para começar.

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