Friday, February 02, 2007

DEPRESSÃO EM JOVENS PAIS

Depressão pega pais de primeira viagem

É comum mulheres que engravidam ficarem preocupadas com a temida depressão pós-parto. Não sem razão. O mal chega a acometer 15 em cada 100 mães. O que poucas pessoas sabem é que os pais, principalmente os de primeira viagem, também podem ficar deprimidos após o nascimento do filho.

Nesse caso, os especialistas não costumam usar o termo "pós-parto" para caracterizar o problema afinal, os homens não dão à luz. "Como foi a mulher quem gerou e concebeu o bebê, a expressão não pode ser aplicada no masculino", explica a psicanalista Sandra Dias, professora da PUC, em São Paulo.

Ainda não há consenso sobre as cuasas do distúrbio nos homens. Mas alguns motivos estão na linha de frente para a depressão, como estresse, preocupação com o sustento da família, sentir-se excluído ou rejeitado pela parceira e até a própria depressão da mulher. "Com a paternidade, o homem vai se defrontar com uma nova realidade. Ele pode se sentir impotente diante disso", explica Sandra Dias.

De acordo com o psicanalista Hemir Barição, da PUC, o nascimento da criança costuma ser um moento de glória feminina. "O parto atua como uma forma de libertação para todas as tensões e ansiedade acumuladas durante a gestação. Isso não acontece com o homem. Pelo contrário, ele ainda vai continuar num ritmo bastante acelerado por, pelo menos, três semanas após a chegada do filho", explica Barição.

Passada a agitação do nascimento e a fase de adaptação dos primeiros dias da criança em casa, o pai acaba sofrendo a baixa do organismo. É aí que os primeiros sintomas podem aparecer: falta de apetite, distúrbios do sono, sentir-se um péssimo pai, perda da libido, colocar o trabalho em primeiro lugar, consumo de álcool em excesso, apatia, ansiedade e nervosismo são alguns dos males que podem atacar os papais nesse período.

O pai que se sente deprimido não deve ter receio de procurar um profissional capaz de compreender a gravidade do caso. "O tratamento vai depender do estado de cada um. Pode incluir sessões de psicoterapia e, nos casos mais graves, o uso de medicamentos", explica a psicanalista Sandra Dias.

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