Wednesday, August 07, 2013

Uso de drogas pode ‘acordar’ o transtorno bipolar

Especialistas afirmam que hábito pode despertar a condição genética do bipolar e faz com que transtorno se manifeste precocemente

Elioenai Paes - iG São Paulo 
A bipolaridade é um transtorno do humor genético que consiste em alterações entre períodos de extrema euforia e outros de depressão profunda. O uso de drogas psicotrópicas pode antecipar a manifestação do problema e também tem o poder de intensificar seus sintomas.
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Características do transtorno: oscilações entre depressão profunda e euforia excessiva
“As drogas, tomando como exemplo a maconha, podem ‘acordar’ a genética e fazer com que a pessoa com pré-disposição genética manifeste a bipolaridade muitos anos antes, em média 10 anos antes do que isso aconteceria”, alerta Teng Chei Tung, psiquiatra do Centro de Psiquiatria da USP.
A bipolaridade por muitas vezes pode iniciar-se na adolescência por reflexo desse uso ou abuso de drogas. Mais do que na vida adulta, o diagnóstico na infância e adolescência é demorado. Em todas as fases, porém, o transtorno pode ser confundido com uma depressão comum ou até mesmo com o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
A condição é hereditária. “Ninguém vira bipolar sem pré-disposição genética”, afirma Antônio Geraldo, presidente da Sociedade Brasileira de Psiquiatria, explicando que o transtorno pode se manifestar em todas as fases da vida, inclusive na infância.
Estima-se que cerca de 60% das pessoas em tratamento para depressão podem ser bipolares. "O diagnóstico é difícil. Requer tempo do psiquiatra com o paciente, para examinar seu passado, para entender se períodos eufóricos e tristes aconteceram. O problema é que a maioria dos atendimentos médicos hoje são de apenas poucos minutos, insuficiente para o diagnóstico", explica Ângela Scippa, ressaltando que antidepressivos comuns não são indicados para o transtorno. 
"É preciso desconfiar quando o paciente tem uma depressão que não responde a medicamentos. Esses pacientes podem ter o transtorno bipolar, e só melhorarão com remédios corretos para este fim", explica a psiquiatra.
"Dizem que quem vai ao psiquatra é louco"
O preconceito ainda é forte. Os especialistas reclamam da ideia popular em torno da psiquiatria e também do estigma que recai sobre aqueles que necessitam dessa ajuda médica.
“Os pacientes são, por muitas vezes, rotulados como loucos por uma parte da sociedade. Existe um preconceito muito grande com os transtornos psiquiátricos”, reclama o presidente da Sociedade Brasileira de Psiquiatria.
Tung cita como exemplo as novelas. “Se você reparar, o personagem com transtorno bipolar normalmente é cleptomaníaco ou alguém que causa muita confusão”, conta, explicando que o paciente pode levar uma vida normal.
Os especialistas afirmam que esse preconceito precisa ter um fim. “Existe um projeto que busca criminalizar preconceito contra portadores de problemas mentais”, explica Geraldo. “A intenção não é colocar ninguém na cadeia, o projeto é para educar”, diz o psiquiatra.
Os psiquiatras afirmam que transtorno bipolar pode ser tratado e tem grandes chances de ser controlado e o paciente passar a viver uma vida normal. “Não há razão para os preconceitos”, complementa Geraldo.
Veja famosos portadores do transtorno bipolar:

Entenda as duas fases da bipolaridade
Depressão
A depressão é profunda. Segundo Tung, os sintomas são intensos. “A pessoa fica triste na maior parte do tempo, não tem mais capacidade de sentir prazer nas coisas, experimenta uma falta de esperança e pensamentos suicidas”. 
Esses problemas podem ser controlados com ajuda médica. “É usado um estabilizador de humor, que vai deixar o paciente nem eufórico demais – que é prejudicial – e nem deprimido”, explica Ângela Scippa, psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos do Humor (ABRATA).
Euforia
Ficar feliz é muito bom, porém, a euforia sentida pelos pacientes com bipolaridade não é felicidade, e sim uma condição patológica. “Eles não dormem, ou dormem apenas uma ou duas horas por noite e não sentem necessidade de repousar, ficam extremamente irritados e agressivos, a energia aumenta para todas as atividades, falam demais, tem compulsão por compras, sexo, atividade de risco e ficam distraídos. Essa euforia também aumenta o consumo de drogas e álcool”, explica Ângela.

    Como ocorre o soluço?

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    Estrutura arterial incompleta pode contribuir para a enxaqueca

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    A formação defeituosa do círculo de Willis tem papel crucial no desencadeamento da enxaqueca, de acordo com pesquisadores norte-americanos. Isso leva a variações no fluxo sanguíneo que podem induzir a cefaleia, relatam os médicos na revista científica "PLOS One".
    Cento e setenta pessoas foram incluídas no estudo da Universidade da Pensilvânia na Filadélfia. Elas foram divididas em três grupos: sem cefaleia, enxaqueca com aura e enxaqueca sem aura. Os pesquisadores examinaram suas estruturas vasculares e o fluxo sanguíneo cerebral usando angiografia por ressonância magnética e rotulagem de spin arterial.
    Isto revelou que o círculo de Willis incompleto é predominantemente encontrado em portadores de enxaqueca com aura, a saber, 73%. Os pacientes com enxaqueca sem aura e os participantes sem cefaleia foram menos afetados (67% e 51%, respectivamente).
    Os cientistas pressupõem que essas alterações estruturais no suprimento sanguíneo do cérebro aumentam a suscetibilidade a alterações no fluxo sanguíneo cerebral e, portanto, contribuem para uma atividade neuronal anormal, envolvida na instalação da enxaqueca. "Anomalias tanto no círculo de Willis como no fluxo sanguíneo foram mais proeminentes na parte posterior do cérebro, onde o córtex visual está localizado. Isto ajuda a explicar por que a aura mais comum na enxaqueca consiste em sintomas visuais como distorções, manchas ou linhas onduladas", explicou o autor principal, John Detre.

    Doença arterial periférica em ascensão

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    A aterosclerose é a causa principal dos AVCs e ataques cardíacos. Um tipo semelhante da doença — chamada doença arterial periférica (ou "doença da vitrine", pois a liberdade de movimento é limitada e as pessoas afetadas devem fazer pausas ao caminhar nas ruas) — tem recebido muito menos atenção até o momento. De acordo com estimativas de pesquisadores da Universidade de Edimburgo (Grã Bretanha), 202 milhões de pessoas em todo o mundo sofrem desta doença (2010) e a frequência está aumentando.
    "O número de pessoas com doença arterial periférica (DAP) aumentou dramaticamente em 23,5% – de 164 milhões em 2000 para 202 milhões em 2010", conta o "The Lancet". A maioria das pessoas afetadas — 70% ou, a saber, 140,8 milhões de indivíduos — vive em países de baixa ou média renda. Assim, as "doenças da civilização" continuam a subir nas regiões mais pobres do mundo. Em 2010, 40,5 milhões de pessoas foram afetadas na Europa, desde o ano 2000 o número aumentou em cerca de 13%.
    "Uma expectativa maior de vida, assim como mudanças no estilo de vida, é a força motriz para o aumento dramático da doença. No grupo de pessoas com mais de 80 anos de idade, o número de pacientes aumentou 35%. Atualmente, um a cada dez indivíduos com mais de 70 anos e um em seis com mais de 80 é afetado", escrevem os pesquisadores, liderados por Gerry Fowkes.
    Além de estratégias de prevenção, existe uma necessidade urgente de detecção precoce. Isto pode, por exemplo, ser facilmente medido com o uso de um índice baseado na diferença de pressão arterial entre o tornozelo e a porção proximal do braço. Mas, obviamente, isto ainda é raramente realizado. É hora de agir, exigem os autores.

    Células tronco derivadas de urina oferecem enorme potencial

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    Células tronco podem ser facilmente retiradas da urina humana e podem ser versáteis no uso, de acordo com um estudo dos EUA. Elas não só se transformam em células renais e do trato urinário, mas também em células de osso, cartilagem, gordura, músculo ou nervos. Isto pode permitir seu uso em diversos tratamentos, relatam pesquisadores na revista científica "Stem Cells".
    A equipe, liderada por Yuanyuan Zhang, dos Centros Médicos Wake Forest Baptist em Winston-Salem (Carolina do Norte) examinaram amostras de urina de 17 pessoas com 5 a 75 anos de idade. "Essas células podem ser obtidas através de uma abordagem simples, não invasiva e barata que evita procedimentos cirúrgicos", disse Zhang.
    Em experimentos, os cientistas estabeleceram que as células tronco derivadas não só podiam se tornar diversos tipos celulares, mas também diferenciar-se nas três camadas de tecido, endoderma, ectoderma e mesoderma – uma marca das células tronco verdadeiras. Mais estudos demonstraram quando as células foram implantadas em camundongos, elas formaram estruturas em multicamadas e semelhantes a vários tecidos.
    Ainda não está totalmente claro de onde vêm essas células. Os pesquisadores pressupõem que se originam do trato urinário alto, a saber, dos rins. Observou-se que as mulheres que receberam rins de doadores do sexo masculino tinham um cromossoma Y nas células tronco derivadas da urina, o que corrobora com esta teoria.
    Os cientistas veem o futuro de forma otimista. "Essas células tronco representam virtualmente um suprimento ilimitado de células autólogas não só para o tratamento de doenças urológicas, como doenças renais, incontinência urinária e disfunção erétil, mas também podem ser usadas em outros campos", disse Zhang.

    Mitos sobre o autismo dificultam convívio com quem sofre do transtorno
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    Rosana Faria de Freitas e Cármen Guaresemin
    Do UOL, em São Paulo
    • Divulgação/TV Globo
      Bruna Linzmeyer interpreta a jovem autista Linda na novela "Amor à Vida"; personagem sofre preconceito
      Bruna Linzmeyer interpreta a jovem autista Linda na novela "Amor à Vida"; personagem sofre preconceito
    O autismo, um dos temas abordados na novela global "Amor à Vida", com a personagem Linda (interpretada pela atriz Bruna Linzmeyer), é um transtorno bem mais comum do que se imagina. Estudo divulgado em 2012 pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos Estados Unidos, mostrou que ele afeta uma em cada 88 crianças. Este ano, a instituição revisou a proporção para uma em cada 50 crianças. A estimativa dá uma ideia de como existem casos sem diagnóstico, especialmente no Brasil.

    Apesar da frequência, ainda há pouca informação sobre o transtorno, o que cerca o assunto de mitos, que, muitas vezes, prejudicam não apenas o diagnóstico, como também o tratamento e o convívio com os autistas. Para piorar, até os especialistas divergem em muitos pontos. E as abordagens são diferentes para cada paciente, porque cada caso é um caso - enquanto alguns autistas vivem com relativa independência, outros precisam de cuidados especiais permanentemente. 
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    Conheça alguns mitos e verdades sobre autismo 19 fotos

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    A pessoa com autismo pode gritar, espernear e provocar grande confusão ao redor. VERDADE: até porque qualquer criança pode fazer isso, mesmo sem autismo. O que ocorre é que muitos pacientes, principalmente os casos mais típicos e intensos, têm uma baixa tolerância a ambientes com muito estímulo e que não passam familiaridade. A psicóloga Cristiane Silvestre de Paula conta que isso acontece com algumas crianças, especialmente as que não têm acompanhamento ou cujo comprometimento é maior: "O papel do profissional é lidar com esta situação, não só tratar, mas conscientizar a sociedade. Se a criança está com a mãe num supermercado, por exemplo, quem está ao redor pensa "esta mulher não sabe educar seu filho". As mães sofrem muito preconceito. Divulgando mais o assunto, as pessoas vão conhecer e, quem sabe, passem a respeitar mais" Thinkstock
    Mundo próprio
    Quem trabalha com esse transtorno do desenvolvimento costuma dizer que há uma série de mitos a serem derrubados, como o de que o autista vive em um mundo próprio, não gosta de afeto, nem da convivência com os outros. "Na maioria das vezes, não negam afeto e buscam contato físico para dar e receber carinho de pessoas conhecidas", comenta a  psicoterapeuta infantil Lygia Teresa Dorigon,  especializada em autismo.

    Para o neurologista Leandro Teles, especialista em neurologia com residência médica no Hospital das Clínicas da USP, tal característica é inata do ser humano, o que muda é a forma de o sujeito manifestar e receber tal estima. "Alguns não se sentem bem se são surpreendidos, e também se mostram sensíveis a estímulos externos intensos".

    A falta de domínio da linguagem e a redução do contato visual também podem gerar essa percepção incorreta. "É preciso conhecer alguns sinais sutis, e estabelecer um canal de interação alternativo e personalizado, para otimizar as relações e as trocas pessoais", recomenda o neurologista.

    O fato é que alguns indivíduos que sofrem com o transtorno se incomodam com interações prolongadas e contextos sociais muito caóticos e barulhentos. "Porém, muitos apresentam interesse em se relacionar socialmente, mesmo não possuindo as habilidades necessárias para fazê-lo", pondera a psicoterapeuta.

    "Não são poucos os que buscam convívio social e se ressentem quando não são bem-sucedidos", complementa o psicólogo Daniel Del Rey, professor do Núcleo Paradigma. Teles concorda: "Eles apreciam a companhia alheia. Se o ambiente for harmonioso, tranquilo e conhecido, certamente se sentirão bem no convívio com os demais".

    Sintomas

    Entre os principais sinais do autismo está o fato de a criança não apontar, não falar palavras soltas aos 16 meses e nem palavras-frases aos dois anos. É importante frisar que, em muitos casos, a criança se desenvolve normalmente até 1 ou 2 anos, começa a falar as primeiras palavras e, de repente, começa a regredir.
    Há vários outros sintomas possíveis, como: não responder quando chamado pelo nome; fazer pouco ou nenhum contato com o olhar; repetir movimentos (balançar de corpo e de mãos); não brincar com símbolos como bonecos/bonecas e casinhas; demonstrar pouco interesse em fazer amizades; ter dificuldade de manter a atenção;  ter crises de birra intensas; ter fixação em certos objetos, como ventiladores rodando; ter resistência a mudanças na rotina e hipersensibilidade a certos sons, texturas e odores.

    ALIMENTAÇÃO E AUTISMO

    • Existem especialistas que defendem que uma dieta sem glúten (elemento presente no trigo, na cevada, no centeio e na aveia) e caseína (proteína encontrada no leite) ajuda a amenizar certos sintomas em autistas. A tese é que, por uma alteração na permeabilidade da parede do intestino, essas substâncias gerariam não só problemas digestivos, mas também um efeito tóxico para o cérebro.

      Mas o tema é polêmico: enquanto especialistas dizem que não há evidência científica suficiente para sustentar a teoria, algumas mães relatam melhoras expressivas no comportamento dos filhos após a mudança na dieta. Em outras palavras, excluir o glúten e a caseína virou uma espécie de tratamento complementar no autismo - surte efeito para algumas, mas não para todas as crianças.

      O psiquiatra Guilherme Polanczyk comenta que é comum algumas crianças autistas terem alergia ao glúten e à caseína. Porém, isso não provoca a doença: "Sem dúvida, os alimentos têm muitos efeitos sobre todos nós. No caso dos autistas, o glúten pode provocar agitação em alguns. Mas achar que a alimentação possa provocar a doença é bobagem. Também não tratamos o autismo por meio de uma dieta".

      Já Estevão Vadasz diz que essa intolerância não é universal, mas há um subgrupo de autistas que realmente não se dá bem com esses alimentos. "Quando se nota que há esta intolerânca, basta tomar alguns cuidados como trocar leite de vaca pelo de soja e a farinha de trigo pela de milho, por exemplo".

      Ele lembra que há muitos pais que confundem as situações, achando que a doença é causada pela alimentação e já tiram alguns itens do cardápio: "Os alimentos não são a causa do transtorno. Se a criança não apresenta nenhum problema, não se deve mudar a dieta".

      Sobre a alimentação, a psicóloga Cristiane de Paula lembra outro ponto: "A criança autista costuma ficar obcecada com algum alimento e só quer aquilo. Ou então diz que não vai comer nada branco, por exemplo. É uma grande luta. É preciso que uma nutricionista ajude a balancear isso, pois a criança costuma ter problemas como prisão de ventre, por exemplo".
    Vale deixar claro que, até hoje, há dúvidas sobre o que causa o autismo - a cada dia surgem novas descobertas. Estudos apontam principalmente para determinantes genéticos, provavelmente pela presença de um conjunto amplo e complexo de genes de susceptibilidade, e também para alguns fatores ambientais.
    O psiquiatra Guilherme Polanczyk, coordenador do núcleo de pesquisa de neurodesenvolvimento inicial de crianças da Faculdade de Medicina da USP conta que o autismo é uma das doenças psiquiátricas com maior particularidade genética. "Pode ser transmitida pelos pais ou por mutações espontâneas, que acontecem no momento da divisão celular".
    Segundo a psicóloga e professora adjunta do Programa de Pós-Graduação em Distúrbios do Desenvolvimento na Universidade Presbiteriana Mackenzie, Cristiane Silvestre de Paula, este é um assunto que assusta as pessoas. "Realmente, se já há um filho autista na família, as chances de outro nascer com o problema são grandes. Trata-se de uma doença neurobiológica com componentes hereditários. Em gêmeos monozigóticos é ainda mais comum a ocorrência".
    Fatores ambientais
    A exposição a agentes ambientais, tais como os infecciosos (rubéola da mãe, ou o citomegalovírus - vírus parecido com o do herpes que pode ficar por muito tempo inativo no organismo), ou a químicos como talidomida (substância que pode gerar problemas em fetos) ou valproato (antiepilético) durante a gravidez podem causar o autismo, segundo estudos.
    Estevão Vadasz, coordenador do Programa de Transtornos do Espectro Autista do IPq - Instituto de Psiquiatria do HC, conta que os fatores ambientais são responsáveis por aproximadamente 30% dos casos de autismo: "A maioria deles decorrentes de problemas referentes ao período de gestação, como infecções e o uso de alguns medicamentos".

    Diagnóstico

    O transtorno é quatro ou cinco vezes mais prevalente em meninos do que em meninas. E, como não existem exames médicos para confirmá-lo, o diagnóstico é baseado na observação. O médico deve ter a percepção aguçada para tirar suas conclusões sobre a comunicação do indivíduo, seu comportamento e níveis de desenvolvimento.

    "A descoberta dos sinais precoces e consequente início do tratamento antes dos dois anos de idade contribuem muito para a evolução da criança. Aprender um novo repertório comportamental desde cedo muda o rumo de aprimoramento do pequeno", considera a psicóloga Cássia Leal da Hora, professora do Núcleo Paradigma.

    A habilidade médica é importantíssima porque, a princípio, vários outros transtornos são comumente confundidos com o autismo, inclusive problemas de comportamento e de audição. "O diagnóstico preciso e precoce é fundamental. A partir dele, dá para se construir uma educação adequada e um programa de tratamento eficaz", reforça Del Rey. "Começando cedo, é possível trabalhar as habilidades deficitárias de forma a permitir melhor autonomia e adaptação social."
    Polanczyk conta que é comum os pais chegarem com a criança já na faixa dos cinco anos para começar o tratamento: "Eles dizem que o filho estava sendo acompanhado por um ou dois anos por um médico que dizia para esperar, porque ainda era precoce diagnosticar a criança como autista. Às vezes, ficam aguardando o professor falar alguma coisa. Quanto antes começar o tratamento melhor. "

    "A participação dos pais é essencial para o prognóstico. Não devem esconder, negar e ficar nesta situação por anos, mas procurar ajuda especializada ao perceber os primeiros sinais. Isso é essencial", conta Cristiane de Paula, que também é vice-presidente do Conselho Científico da ONG Autismo & Realidade, criada em 2010 pelo empresário Hermelindo Ruete de Oliveira, pai de uma menina com autismo.
    Para a psicóloga, o papel do profissional não é só tratar, mas conscientizar a sociedade sobre o autismo. "Se a criança está com a mãe num supermercado e começa a gritar, por exemplo, quem está ao redor pensa 'esta mulher não sabe educar seu filho'. As mães, principalmente, sofrem muito preconceito. Divulgando mais, as pessoas vão conhecer e, quem sabe, passar a respeitar mais o assunto".

    Superinteligentes?

    Como formam um grupo muito heterogêneo, cada autista é de um jeito. Todos mostram similaridade na dificuldade social, mas, do ponto de vista intelectual, podem apresentar performances distintas.

    A psicóloga conta que, depois do lançamento de Rain Man, em 1988, muitas mães ficaram frustradas, pois achavam que seus filhos seriam brilhantes como o rapaz autista do filme. Isso porque o personagem Raymond Babbitt, que rendeu Oscar de melhor ator a Dustin Hoffman, era brilhante em matemática. "Na verdade, apenas 10% dos autistas seriam muito inteligentes. É o que chamamos de ilhas do conhecimento, ou seja, nichos de conhecimento específicos. Estes estão acima da média".

    Outro personagem de ficção que as pessoas relacionam ao autismo é o cientista Sheldon Cooper, do seriado The Big Bang Theory. A psicóloga conta que, apesar de adorável, na verdade ele é uma caricatura de alguém com síndrome de Asperger (um transtorno do espectro autista, diferente do clássico). "Há um tipo de autista que não vai falar nem se desenvolver muito. No outro extremo, há esse mais inteligente em alguns aspectos, mas que não entende algumas pistas sociais, como a ironia".

    Não raro, os 10% acima da média mostram habilidades intelectuais globalmente aumentadas ou têm uma capacidade mental específica mais desenvolvida (a ilha do conhecimento) – como a matemática, a memória, o domínio de tecnologia, a pintura, a música. "Alguns gênios da humanidade podem ter sido autistas não diagnosticados", arrisca Teles.

    O que é Cefaleia tensional?

    Sinônimos: Dor de cabeça de contração muscular
    Uma cefaleia tensional é uma dor ou desconforto na cabeça, couro cabeludo ou pescoço, geralmente associada à tensão muscular nessas áreas.
    ADAMA maioria das cefaleias é causada por contração muscular ou problemas de fluxo sanguíneo
    Consulte também:

    Causas

    A cefaleia tensional é uma das formas de dor de cabeça mais comuns. Ela pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum em adultos e adolescentes.
    Se uma dor de cabeça ocorrer duas ou mais vezes por semana durante vários meses ou por mais tempo, a doença é considerada crônica. As cefaleias crônicas e diárias podem ser resultado do tratamento insuficiente ou excessivo de uma cefaleia primária. Por exemplo, os pacientes que tomam analgésicos mais de três vezes por semana, regularmente, podem desenvolver cefaleias de rebote.
    A cefaleia tensional pode ocorrer quando o paciente também apresenta enxaqueca.
    Ela ocorre quando os músculos do pescoço e do couro cabeludo ficam tensos ou se contraem. As contrações musculares podem ser uma resposta a estresse, depressão, trauma na cabeça ou ansiedade.
    Qualquer atividade que exija que a cabeça seja mantida em uma mesma posição por muito tempo sem se mover pode causar uma dor de cabeça. Isso inclui atividades como digitar ou realizar outras ações no computador, trabalhos manuais delicados que exigem precisão e atenção e a utilização de um microscópio. Dormir em um quarto frio ou dormir com o pescoço em uma posição incomum também pode desencadear uma cefaleia tensional.
    Outros desencadeadores da cefaleia tensional são:
    • Álcool
    • Cafeína (em excesso ou abstinência)
    • Gripe e resfriado
    • Problemas odontológicos como apertamento da mandíbula ou bruxismo
    • Fadiga visual
    • Fumo em excesso
    • Fadiga
    • Congestão nasal
    • Esforço excessivo
    • Sinusite
    ADAMSinusites, cefaleias, tensões e enxaquecas afetam o corpo de diferentes maneiras
    A cefaleia tensional não está associada a alterações estruturais no cérebro.

    Exames

    Uma dor de cabeça de leve a moderada que não ocorre junto com outros sintomas e responde ao tratamento caseiro em poucas horas talvez não precise de exames ou testes mais detalhados, principalmente se ela já tiver ocorrido anteriormente. A cefaleia tensional não revela descobertas anormais em um exame neurológico. Entretanto, é possível perceber, com frequência, pontos doloridos (nódulos de tensão) nos músculos da região do pescoço e dos ombros.
    Se a dor de cabeça for aguda, persistente (não desaparecer) ou se outros sintomas estiverem presentes, consulte seu médico para descartar outros distúrbios que podem causar dor de cabeça.
    As cefaleias que perturbam o sono, que ocorrem sempre que você está ativo ou que são recorrentes ou crônicas podem exigir exames e tratamentos recomendados por um médico.

    Sintomas de Cefaleia tensional

    A dor sentida pela cefaleia tensional pode ser descrita como:
    • Uma pressão leve, mas constante (não latejante)
    • Uma faixa apertada ou um torno na cabeça
    • Espalhada (não apenas em um local ou de um lado)
    • É pior no couro cabeludo, nas têmporas ou na nuca e, possivelmente, nos ombros
    A dor da cefaleia tensional pode ocorrer como um evento isolado, ser constante ou diária. Ela pode durar de 30 minutos a sete dias. Pode ser desencadeada ou piorar por estresse, fadiga, barulho ou claridade excessiva.
    Pode causar insônia. A cefaleia tensional normalmente não causa náusea ou vômito.
    Em geral, as pessoas com cefaleia tensional tentam aliviar a dor massageando o couro cabeludo, as têmporas ou a base da nuca.

    Buscando ajuda médica

    Ligue para a emergência se:
    • Você estiver sentindo "a pior dor de cabeça da sua vida"
    • Você apresentar dificuldades para se movimentar, enxergar ou falar, ou apresentar perda de equilíbrio, principalmente se nunca tiver tido esses sintomas junto com uma dor de cabeça
    • A sua dor de cabeça for mais grave quando você estiver deitado
    • A dor de cabeça começar muito repentinamente
    Também ligue para o seu médico se:
    • A sua dor ou o padrão regular da dor de cabeça mudar
    • Os tratamentos que fizeram efeito no passado não estiverem mais ajudando
    • Você apresentar efeitos colaterais do medicamento, incluindo batimentos cardíacos irregulares, pele pálida ou azulada, sonolência extrema, tosse persistente, depressão, fadiga, náusea, vômito, diarreia, constipação, dor de estômago, cólicas, boca seca ou sede extrema
    • Você estiver grávida ou se essa for uma possibilidade, já que alguns medicamentos não devem ser tomados durante a gravidez
    Consulte o artigo geral sobre dores de cabeça para conhecer outros sintomas críticos

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